Setembro Amarelo: a campanha de prevenção ao suicídio

Setembro Amarelo

Se você está passando por um momento difícil, procure apoio. CVV: ligue 188. Atendimento gratuito, sigiloso, 24 horas por dia, todos os dias. Também por chat e e-mail em cvv.org.br. Emergência: SAMU 192. Em caso de risco imediato, procure a unidade de urgência mais próxima. CAPS: os Centros de Atenção Psicossocial do SUS oferecem acompanhamento em saúde mental de forma gratuita.

Todo mês de setembro, prédios públicos, empresas, escolas e redes sociais se enchem de amarelo. A cor virou sinônimo de uma conversa que, durante muito tempo, a sociedade brasileira preferiu não ter.

O Setembro Amarelo existe por um motivo bem direto: o suicídio é um problema de saúde pública, e boa parte dos casos pode ser prevenida quando a pessoa encontra acolhimento e acesso a cuidado no momento certo. Neste guia, você vai entender o que é a campanha, como ela surgiu, o que dizem os dados oficiais, quais sinais merecem atenção, como oferecer ajuda a alguém e onde buscar apoio no Brasil.

O que é o Setembro Amarelo?

Setembro Amarelo é a campanha brasileira de conscientização e prevenção do suicídio, realizada todos os anos durante o mês de setembro. Ela é conduzida pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), e tem como objetivo central quebrar o silêncio em torno do tema e ampliar o acesso à ajuda.

A campanha se apoia em uma ideia simples e bem sustentada pela evidência: falar sobre sofrimento emocional de forma responsável não aumenta o risco. Ao contrário, abre caminho para que a pessoa peça ajuda.

Como a campanha surgiu

A origem do laço amarelo

O laço amarelo como símbolo de prevenção do suicídio nasceu nos Estados Unidos, em 1994, a partir de uma iniciativa criada por familiares e amigos de um adolescente de 17 anos que morreu por suicídio.

Eles passaram a distribuir cartões com laços amarelos em eventos da comunidade. A mensagem impressa era um convite para que quem estivesse em sofrimento entregasse aquele cartão a alguém e pedisse ajuda. A ação se espalhou e deu origem a uma campanha nacional de prevenção.

O amarelo foi mantido desde então como cor de referência do tema em vários países.

A campanha no Brasil

No Brasil, o Setembro Amarelo nasceu de uma articulação entre o CVV, o CFM e a ABP em meados da década de 2010.

Vale registrar uma divergência entre as fontes oficiais quanto à data exata. A ABP contabiliza a realização da campanha desde 2014, em parceria com o CFM. O CVV registra 2015 como a primeira edição do Setembro Amarelo, ano em que foi lançado o site oficial da campanha e o selo “Falar é a melhor solução”.

Em 2015 também começou a operar o número 188, primeiro telefone sem custo de ligação para prevenção do suicídio no país, inicialmente como projeto piloto no Rio Grande do Sul. Após convênio entre o CVV e o Ministério da Saúde, o serviço se tornou gratuito em todo o território nacional em 2018.

Em 2019, a Lei nº 13.819 instituiu a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio, tornando a prevenção uma diretriz de Estado e não apenas uma campanha sazonal.

O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio

O dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, organizado pela Associação Internacional para Prevenção do Suicídio (IASP) e endossado pela Organização Mundial da Saúde. A data é o marco internacional que ancora a campanha brasileira ao calendário global.

O que dizem os dados

Os números abaixo vêm de fontes oficiais e ajudam a dimensionar por que o tema ocupa espaço nas políticas de saúde pública.

No mundo

  • A OMS estima mais de 700 mil mortes por suicídio por ano, número que em levantamentos mais recentes supera 720 mil
  • Isso representa aproximadamente uma em cada 100 mortes registradas no planeta
  • Entre jovens de 15 a 29 anos, aparece como a quarta principal causa de morte, atrás de acidentes de trânsito, tuberculose e violência interpessoal
  • Entre 2000 e 2019, a taxa global caiu 36%. No mesmo período, a taxa na região das Américas subiu 17%

No Brasil

  • Entre 2010 e 2019 foram registradas 112.230 mortes por suicídio, segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde
  • O número anual passou de 9.454 em 2010 para 13.523 em 2019, aumento de 43% na década
  • O crescimento das taxas ocorreu em todas as regiões do país
  • Entre 2016 e 2021, a mortalidade entre adolescentes de 15 a 19 anos subiu 49,3%, e entre 10 e 14 anos subiu 45%

Um ponto importante de leitura: os dados de mortalidade captam apenas parte do fenômeno. Para cada morte registrada, existe um número muito maior de pessoas que passaram por sofrimento intenso e não chegaram a esse desfecho. É justamente esse grupo que a prevenção alcança.

O suicídio pode ser prevenido

Esta é a afirmação central da campanha, e ela tem respaldo em evidência.

O suicídio é um fenômeno complexo, com determinação múltipla. Fatores psicológicos, biológicos, sociais, econômicos e culturais interagem, e nenhum evento isolado explica um caso. Justamente por ser multifatorial, existem vários pontos possíveis de intervenção.

O que a literatura em saúde pública indica como eficaz:

  1. Tratamento adequado de transtornos mentais, especialmente depressão, transtornos de ansiedade e uso problemático de álcool e outras substâncias
  2. Identificação precoce de sinais de alerta por familiares, colegas, professores e profissionais de saúde
  3. Acesso facilitado a atendimento em momentos de crise
  4. Redução do estigma, para que pedir ajuda deixe de ser visto como fraqueza
  5. Acompanhamento continuado após episódios de crise
  6. Cobertura responsável do tema pela mídia e pelas redes sociais

Sobre esse último item, existe um dado que vale conhecer. A OMS documenta que cobertura sensacionalista ou detalhada aumenta risco, enquanto cobertura focada em enfrentamento, recuperação e caminhos de ajuda tem efeito protetor. Por isso a forma de falar importa tanto quanto a decisão de falar.

Sinais de alerta que merecem atenção

Nenhum sinal isolado permite concluir algo com segurança, e essa lista não substitui avaliação profissional. O que pede atenção é a mudança de padrão, especialmente quando vários sinais aparecem ao mesmo tempo ou se intensificam.

  • Falar sobre a própria morte, sobre não ter saída ou sobre ser um peso para os outros
  • Afastamento de amigos, família e atividades que antes davam prazer
  • Alterações importantes de sono, apetite ou peso
  • Desesperança persistente, sensação de vazio ou de que nada vai melhorar
  • Aumento do consumo de álcool ou de outras substâncias
  • Irritabilidade, agitação ou oscilações de humor fora do habitual
  • Desorganização em tarefas cotidianas, queda de rendimento no trabalho ou nos estudos
  • Comportamentos de despedida, como organizar pendências e se desfazer de pertences
  • Descuido incomum com a própria segurança
  • Melhora súbita e inexplicada após período de sofrimento intenso

Esse último item costuma surpreender. Uma mudança abrupta de humor após semanas de sofrimento nem sempre indica recuperação, e merece atenção em vez de alívio imediato.

Como ajudar alguém em sofrimento

A orientação do Ministério da Saúde e do CVV converge em alguns pontos práticos.

Escolha um momento e um lugar adequados. Uma conversa dessas precisa de tempo, privacidade e tranquilidade.

Pergunte de forma direta e acolhedora. Existe um receio comum de que perguntar sobre sofrimento profundo possa “dar a ideia” à pessoa. A evidência não sustenta esse receio. Perguntar com cuidado costuma trazer alívio e abrir espaço para a conversa.

Ouça sem julgar e sem apressar soluções. Escutar já é intervenção. Frases como “isso vai passar” ou “tem gente em situação pior” tendem a encerrar a conversa em vez de ajudar.

Leve a sério o que a pessoa diz. Não minimize e não trate como busca por atenção.

Incentive a procura por ajuda profissional e ofereça-se para acompanhar. O primeiro passo costuma ser o mais difícil, e companhia faz diferença real.

Se você percebe risco imediato, não deixe a pessoa sozinha e acione ajuda: SAMU 192 ou a unidade de urgência mais próxima.

Cuide também de você. Apoiar alguém em sofrimento é desgastante. Buscar suporte próprio faz parte de conseguir ajudar de forma sustentável.

Onde buscar ajuda no Brasil

ServiçoContatoO que oferece
CVV188 (ligação gratuita, 24h) e cvv.org.brApoio emocional por telefone, chat, e-mail e presencialmente, com sigilo e anonimato
CAPSUnidades do SUS no municípioAcompanhamento em saúde mental, gratuito, com equipe multiprofissional
Unidade Básica de SaúdeUBS do territórioPorta de entrada do SUS, com encaminhamento para a rede de saúde mental
SAMU192Atendimento de urgência
Emergência hospitalarUnidade mais próximaAtendimento em situação de risco imediato

O CVV foi fundado em 1962 e é reconhecido como entidade de utilidade pública federal desde 1973. Em 2025, realizou cerca de 2 milhões de atendimentos por meio de aproximadamente 3.200 voluntários, presentes em 19 estados e no Distrito Federal.

Saúde mental e saúde física caminham juntas

Existe um aspecto do tema que costuma ficar de fora das campanhas e que interessa diretamente a quem trabalha com medicina preventiva.

Saúde mental e saúde física não são compartimentos separados. Depressão e ansiedade alteram sono, apetite, pressão arterial, controle glicêmico e marcadores inflamatórios. Na outra direção, doenças crônicas, dor persistente, distúrbios do sono e alterações hormonais afetam humor, energia e cognição.

Alguns exemplos dessa via de mão dupla:

Uma avaliação de saúde bem conduzida cria oportunidade de conversa sobre sono, humor, estresse e qualidade de vida, e não apenas sobre exames laboratoriais. Em muitos casos, é no consultório clínico que um quadro de sofrimento emocional aparece pela primeira vez, trazido como queixa física.

O papel do Vita Check-up Center

No Vita Check-up Center, na Barra da Tijuca, trabalhamos com medicina preventiva há mais de 27 anos e mais de 40.000 check-ups realizados.

Nossa atuação neste tema é específica e vale delimitar com honestidade: não somos serviço de emergência psiquiátrica nem substituímos acompanhamento em saúde mental. O que fazemos é avaliação clínica integral, em que sono, estresse, fadiga e qualidade de vida entram na conversa junto com pressão arterial, exames laboratoriais e avaliação cardiológica, com encaminhamento para a especialidade adequada quando necessário.

  • Avaliação em um único dia, com exames e consultas concentrados em uma visita
  • Equipe multidisciplinar, com leitura integrada dos achados
  • Estrutura acreditada: a clínica conquistou a Acreditação ONA Nível Pleno
  • Investigação de distúrbios do sono, por meio do nosso programa específico

Para empresas, o programa de check-up executivo contempla a avaliação de saúde dos colaboradores, tema que ganhou peso regulatório com as exigências de gestão de riscos psicossociais.

Como participar do Setembro Amarelo

Como pessoa física

  • Informe-se em fontes confiáveis e ajude a divulgar canais de ajuda
  • Ao falar sobre o tema nas redes, evite detalhes de casos e sempre inclua o 188
  • Esteja disponível para ouvir alguém próximo, sem pressa e sem julgamento
  • Cuide da própria saúde mental e normalize a busca por ajuda

Como empresa ou instituição

  • Divulgue canais de apoio em murais, intranet e comunicação interna
  • Promova rodas de conversa conduzidas por profissionais habilitados
  • Revise a carga de trabalho e os fatores de estresse da equipe, indo além da ação simbólica
  • Garanta que a liderança saiba para onde encaminhar um colaborador em sofrimento

Como profissional de saúde

  • Inclua perguntas sobre sono, humor e estresse na anamnese de rotina
  • Conheça a rede de saúde mental do seu município
  • Mantenha-se atualizado nas diretrizes de abordagem do tema

Perguntas frequentes sobre o Setembro Amarelo

O que é o Setembro Amarelo?

É a campanha brasileira de conscientização e prevenção do suicídio, realizada todo mês de setembro pelo CVV, pelo CFM e pela ABP. O objetivo é ampliar o acesso à informação e à ajuda, e reduzir o estigma em torno do sofrimento emocional.

Por que a cor amarela?

O laço amarelo surgiu nos Estados Unidos, em 1994, a partir de uma campanha criada por familiares e amigos de um adolescente que morreu por suicídio. A ação distribuía cartões com laços amarelos convidando quem estivesse em sofrimento a pedir ajuda. A cor se consolidou internacionalmente como símbolo do tema.

Quando começou o Setembro Amarelo no Brasil?

A campanha nasceu em meados da década de 2010. A ABP contabiliza sua realização desde 2014, em parceria com o CFM. O CVV registra 2015 como a primeira edição, ano do lançamento do site oficial e do selo da campanha.

Qual é o telefone do Setembro Amarelo?

O canal de apoio emocional é o CVV, pelo número 188. A ligação é gratuita a partir de qualquer telefone fixo ou celular, funciona 24 horas por dia, todos os dias, e o atendimento é sigiloso e anônimo. Há também atendimento por chat e e-mail em cvv.org.br.

Falar sobre suicídio aumenta o risco?

Não, quando a conversa é conduzida de forma responsável. A evidência indica que perguntar com cuidado costuma aliviar e abrir espaço para a busca de ajuda. O que aumenta risco é a abordagem sensacionalista, com detalhamento de casos e métodos, algo que as diretrizes da OMS orientam a evitar.

O suicídio pode ser prevenido?

Sim. O Ministério da Saúde e a OMS classificam o suicídio como fenômeno prevenível em grande parte dos casos. Tratamento adequado de transtornos mentais, identificação precoce de sinais de alerta e acesso facilitado a atendimento estão entre as medidas com melhor respaldo.

O que fazer se alguém próximo demonstra sinais de alerta?

Procure um momento tranquilo, pergunte de forma direta e acolhedora, ouça sem julgar e leve a sério o que a pessoa disser. Incentive a busca por ajuda profissional e ofereça-se para acompanhar. Em caso de risco imediato, não deixe a pessoa sozinha e acione o SAMU 192 ou a emergência mais próxima.

Conclusão

O Setembro Amarelo cumpre uma função que vai além do mês de setembro: transformar um assunto cercado de silêncio em conversa possível.

A prevenção acontece nas coisas concretas. Uma pergunta feita com cuidado, um encaminhamento para o serviço certo, um tratamento iniciado a tempo, um canal de ajuda que alguém guardou no celular e usou quando precisou.

Se você chegou até aqui procurando ajuda para si mesmo, o passo mais importante já foi dado. Existe apoio disponível, gratuito, sigiloso e a qualquer hora.


Precisa conversar? Ligue 188. CVV, atendimento gratuito e sigiloso, 24 horas por dia. Também por chat e e-mail em cvv.org.br. Em caso de risco imediato: SAMU 192 ou a unidade de urgência mais próxima.


Cuidar da saúde é cuidar do todo

No Vita Check-up Center, sono, estresse, fadiga e qualidade de vida fazem parte da avaliação, junto com os exames clínicos e cardiológicos, tudo em um único dia na Barra da Tijuca.

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Referências

  1. Ministério da Saúde. Suicídio (Prevenção). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/suicidio-prevencao
  2. Centro de Valorização da Vida (CVV). O CVV. Disponível em: https://cvv.org.br/o-cvv/
  3. Setembro Amarelo. Site oficial da campanha. Disponível em: https://www.setembroamarelo.org.br/
  4. Organização Mundial da Saúde. Suicide, fact sheet. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/suicide
  5. Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS). Prevenção do suicídio. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/prevencao-suicidio
  6. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico, v. 52, n. 33, setembro de 2021. Mortalidade por suicídio e notificações de lesões autoprovocadas no Brasil.
  7. Brasil. Lei nº 13.819, de 26 de abril de 2019. Institui a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio.
  8. Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Disponível em: https://www.abp.org.br/
  9. Biblioteca Virtual em Saúde, Ministério da Saúde. Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica ou psicológica individual. Se você ou alguém próximo está em sofrimento, procure ajuda profissional. CVV: 188.

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