Mamografia passo a passo: o que esperar no dia do exame

Medical professionals performing a mammogram.

Boa parte do adiamento da mamografia não vem de falta de informação sobre a importância do exame. Vem de dúvidas práticas: se dói, quanto tempo leva, se pode fazer menstruada, se o silicone atrapalha.

São perguntas legítimas e com respostas objetivas. Este artigo reúne todas elas, do preparo na véspera ao que acontece depois que o laudo sai.

Este conteúdo faz parte do nosso guia sobre câncer de mama.

Como é feita a mamografia?

A mamografia é um exame de imagem que usa raios X em dose baixa. A mama é posicionada sobre uma plataforma e comprimida por uma placa durante alguns segundos, enquanto a imagem é capturada. O processo é repetido em duas incidências por mama, e o exame completo costuma durar de 10 a 20 minutos.

A compressão é a parte que gera mais receio, e é também a que torna o exame possível.

Por que a mama precisa ser comprimida

A compressão não existe para incomodar. Ela cumpre quatro funções técnicas:

  • Espalha o tecido mamário, separando estruturas que se sobrepõem e poderiam esconder uma alteração
  • Reduz a espessura, o que permite usar menos radiação para obter a mesma qualidade de imagem
  • Imobiliza a mama, evitando o borramento causado por movimento
  • Uniformiza a densidade, melhorando o contraste da imagem

Sem compressão adequada, a imagem perde qualidade e o exame pode precisar ser repetido. É por isso que o técnico insiste em ajustar o posicionamento.

O passo a passo do exame

  1. Recepção e identificação. Você informa dados pessoais, histórico e entrega exames anteriores, se tiver.
  2. Troca de roupa. Você retira a roupa da cintura para cima e veste um avental fornecido pelo serviço. Também retira colares e brincos longos.
  3. Posicionamento. O técnico posiciona a mama sobre a plataforma do aparelho e ajusta a altura e o ângulo.
  4. Compressão e captura. A placa desce e comprime a mama por alguns segundos. Você será orientada a prender a respiração durante a captura.
  5. Repetição. O processo se repete em duas incidências por mama, uma no sentido de cima para baixo e outra em diagonal.
  6. Conferência das imagens. O técnico verifica a qualidade. Em alguns casos, uma incidência precisa ser repetida, o que é rotineiro e não indica problema.
  7. Liberação. Você se veste e pode retomar as atividades normalmente. Não há restrição de nenhum tipo após o exame.

O tempo de compressão de cada incidência é de poucos segundos. O que leva mais tempo é o posicionamento.

Mamografia dói?

A compressão causa desconforto, e a intensidade varia bastante entre pessoas. Parte das mulheres relata apenas uma pressão incômoda; outras descrevem dor durante os segundos de compressão.

Alguns fatores influenciam:

  • Fase do ciclo menstrual. As mamas tendem a ficar mais sensíveis na semana que antecede a menstruação
  • Sensibilidade individual, que varia naturalmente
  • Tamanho e densidade da mama
  • Ansiedade, que aumenta a percepção do desconforto

O que ajuda:

  • Agendar na primeira semana após o fim da menstruação, período em que as mamas costumam estar menos sensíveis
  • Reduzir cafeína nos dias anteriores, se você percebe que ela aumenta sua sensibilidade mamária
  • Avisar o técnico se a dor for significativa. Pequenos ajustes de posicionamento podem melhorar bastante
  • Respirar de forma controlada durante a compressão

O desconforto termina assim que a placa é liberada. Não há dor residual esperada após o exame.

Como se preparar

No dia do exame

  • Não use desodorante, talco, creme ou perfume nas mamas e nas axilas. Esses produtos podem conter partículas que aparecem na imagem e simulam calcificações, o que gera dúvida no laudo e pode exigir repetição
  • Prefira roupa de duas peças, já que você precisará retirar a parte de cima
  • Evite colares e brincos longos
  • Leve exames anteriores, incluindo imagens e laudos. A comparação é uma das ferramentas mais úteis do radiologista

No agendamento

  • Prefira a primeira semana após o fim da menstruação, quando as mamas estão menos sensíveis
  • Informe no agendamento se você tem prótese de silicone, para que o serviço se prepare com as incidências adequadas

Não é necessário

  • Jejum
  • Suspender medicações
  • Acompanhante
  • Repouso antes ou depois

Dúvidas específicas

Pode fazer mamografia menstruada?

Sim. A menstruação não interfere no resultado nem impede a realização do exame. A única questão é de conforto: as mamas costumam estar mais sensíveis no período pré-menstrual e durante a menstruação.

Se houver flexibilidade de agenda, a primeira semana após o fim da menstruação tende a ser mais confortável. Se não houver, não vale adiar o exame por causa disso.

Quem tem prótese de silicone pode fazer mamografia?

Sim. A presença de implante exige técnica específica, com incidências adicionais conhecidas como manobra de Eklund, nas quais a prótese é deslocada para trás e o tecido mamário é trazido para frente, permitindo melhor visualização.

Dois pontos práticos: informe no agendamento e no dia do exame que você tem prótese, e avise o técnico sobre o tipo e a posição do implante, se souber. O risco de ruptura durante o exame é considerado muito baixo, e o benefício do rastreamento justifica a realização.

Em algumas situações, exames complementares podem ser indicados, porque a prótese reduz a área de tecido mamário visualizada.

Quem amamenta pode fazer mamografia?

Pode, quando há indicação clínica. Durante a lactação, a mama fica mais densa, o que reduz a capacidade de leitura do exame. Por isso, em rastreamento de rotina costuma-se aguardar o fim da amamentação, e na investigação de alterações a avaliação frequentemente começa por ultrassonografia.

A decisão é do médico que acompanha o caso.

A radiação da mamografia faz mal?

A dose de radiação usada é baixa. Para as faixas etárias em que o rastreamento é indicado, o benefício de detectar um tumor em fase inicial supera amplamente o risco teórico associado à exposição.

Essa é também uma das razões pelas quais a mamografia não é usada como rastreamento de rotina em mulheres muito jovens: naquela faixa, o benefício esperado é menor, o que muda o balanço.

Posso fazer mamografia grávida?

O rastreamento de rotina é adiado durante a gestação. Quando existe alteração que precisa de investigação, a conduta é definida pelo médico, geralmente começando por ultrassonografia, e a mamografia pode ser realizada com proteção abdominal quando há indicação clara.

Preciso de pedido médico?

Sim, o exame é realizado mediante solicitação médica, que também orienta o radiologista sobre o contexto clínico e sobre o que investigar.

Mamografia digital e tomossíntese são a mesma coisa?

Não. A mamografia digital produz imagens bidimensionais. A tomossíntese, também chamada de mamografia 3D, produz múltiplas imagens em cortes, o que reduz a sobreposição de tecidos e melhora a avaliação, especialmente em mamas densas. CBR, SBM e Febrasgo consideram a tomossíntese uma evolução da mamografia e recomendam seu uso no rastreamento sempre que acessível e disponível.

Depois do exame

Você retoma as atividades imediatamente, sem restrição.

O laudo é emitido pelo radiologista e costuma trazer uma classificação BI-RADS, de 0 a 6, além de uma classificação de densidade mamária, de A a D. Se quiser entender o que cada uma significa, veja nosso artigo sobre como ler o resultado da mamografia pelas categorias BI-RADS.

Leve o laudo ao médico que solicitou o exame, junto com os exames anteriores. Guarde as imagens e os laudos: eles têm valor em cada exame seguinte.

Em alguns casos, o serviço convoca para incidências adicionais ou ultrassonografia complementar. Isso é rotineiro e, na maior parte das vezes, esclarece um achado sem maior consequência.

O papel do Vita Check-up Center

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Conclusão

A mamografia é um exame rápido, sem preparo complexo e sem restrição posterior. O desconforto existe, dura segundos e pode ser reduzido com escolha de data e ajuste de posicionamento.

Duas orientações concentram a maior parte do que dá para fazer: não usar desodorante, talco ou creme nas mamas e axilas no dia, e levar os exames anteriores.

Se a dúvida que estava adiando o seu exame era alguma das respondidas aqui, vale agendar.


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Referências

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Mamografia. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/mama
  2. Ministério da Saúde. Câncer de mama. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/cancer-de-mama
  3. Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR). Disponível em: https://cbr.org.br/
  4. Urban LABD, et al. Recomendações do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, da Sociedade Brasileira de Mastologia e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia para o rastreamento do câncer de mama no Brasil. Radiologia Brasileira, 2023.
  5. American College of Radiology. ACR BI-RADS Atlas, 5ª edição. Disponível em: https://www.acr.org/Clinical-Resources/Reporting-and-Data-Systems/Bi-Rads

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individual. A indicação do exame e a interpretação do resultado são responsabilidade do médico assistente.

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