Receber um diagnóstico médico durante a gravidez costuma gerar um misto de medo e ansiedade. Se você ouviu o termo diabetes gestacional recentemente, respire fundo.
Embora o nome assuste, esta é uma condição metabólica comum e, na grande maioria dos casos, temporária. Trata-se de uma intolerância aos carboidratos diagnosticada pela primeira vez durante a gestação.
A boa notícia? Com o acompanhamento correto e ajustes no estilo de vida, é perfeitamente possível ter uma gravidez saudável e um bebê forte.
Neste guia completo, preparado pela equipe do Vita Check-up, vamos explicar o que está acontecendo com o seu corpo, decifrar os valores dos seus exames e mostrar o caminho para o controle da glicemia.
Leia aqui nosso guia completo sobre Diabetes
Sintomas de diabetes gestacional: O perigo silencioso
Uma das características mais traiçoeiras da diabetes gestacional é que, em muitos casos, ela é assintomática.
Muitas gestantes descobrem a alteração apenas nos exames de rotina do pré-natal, sem nunca terem sentido nada diferente. Por isso, a realização de check-ups preventivos é inegociável para a saúde da mãe e do feto.
No entanto, quando os níveis de açúcar no sangue (glicemia) estão muito elevados, o corpo pode emitir alertas.
Não ignore os sinais que seu corpo está dando!
É comum confundir os sintomas da diabetes com os desconfortos normais da gravidez. Porém, fique atenta se sentir uma intensidade fora do comum nestes sinais:
- Polidipsia (Sede excessiva): Uma boca seca constante, mesmo bebendo muita água.
- Poliúria (Vontade frequente de urinar): Mais do que o habitual pela pressão do útero na bexiga. O volume de urina aumenta significativamente.
- Cansaço extremo: Uma fadiga que não melhora com o repouso (diferente daquela sonolência do primeiro trimestre).
- Visão turva: Dificuldade momentânea de focar a visão.
- Infecções frequentes: Principalmente candidíase ou infecções urinárias de repetição.
Se você notar esse padrão, informe seu obstetra imediatamente.
Como confirmar o diagnóstico
O diagnóstico padrão ouro é feito através do exame de sangue, especificamente o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG), popularmente conhecido como “Curva Glicêmica”.
Este teste é geralmente realizado entre a 24ª e a 28ª semana de gestação. Nele, a gestante colhe sangue em jejum, ingere um líquido açucarado (dextrosol) e colhe sangue novamente após 1 e 2 horas.
Diabetes gestacional: valores de referência
Para facilitar o seu entendimento, preparamos uma tabela com os critérios da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Se qualquer um dos valores abaixo for atingido ou ultrapassado, o diagnóstico é confirmado:
| Momento da Coleta | Valor de Referência (mg/dL) |
| Jejum | Igual ou acima de 92 |
| 1 hora após sobrecarga | Igual ou acima de 180 |
| 2 horas após sobrecarga | Igual ou acima de 153 |
Nota: Um valor de jejum acima de 126 mg/dL em qualquer fase da gravidez já caracteriza diabetes manifesto (prévio).
Calculadora da glicemia: Monitorando suas metas
Após o diagnóstico, o monitoramento passa a ser diário. O objetivo não é apenas “baixar o açúcar”, mas mantê-lo dentro de uma zona de segurança para o bebê.
As metas sugeridas para o controle no dia a dia (usando o aparelho de ponta de dedo) geralmente são:
- Jejum: Abaixo de 95 mg/dL.
- 1 hora após as refeições: Abaixo de 140 mg/dL.
- 2 horas após as refeições: Abaixo de 120 mg/dL.
Dica do Vita Check-up: A precisão nos exames laboratoriais é vital. No Vita Check-up Center, na Barra da Tijuca, realizamos coletas com agilidade e entrega rápida de resultados, essenciais para que seu médico ajuste o tratamento sem demora.
Leia também: Diabetes tipo 1, o que é e sintomas!
Possíveis causas: Por que isso aconteceu comigo?
Muitas mães sentem culpa ao receber o diagnóstico. Não sinta. A causa é, em grande parte, fisiológica.
Durante a gravidez, a placenta produz diversos hormônios vitais para o bebê. O “efeito colateral” desses hormônios é que eles bloqueiam a ação da insulina da mãe. O pâncreas da gestante precisa trabalhar dobrado para vencer essa resistência. Quando ele não consegue produzir insulina extra suficiente, o nível de glicose no sangue sobe, resultando na diabetes gestacional.
Quem tem maior risco
Embora possa acontecer com qualquer mulher, alguns fatores aumentam as chances:
- Idade materna avançada (acima de 35 anos).
- Sobrepeso ou obesidade antes da gravidez.
- Ganho de peso excessivo durante a gestação.
- Histórico familiar de diabetes (pais ou irmãos).
- Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP).
- Ter tido diabetes gestacional em gravidez anterior ou bebê macrossômico (nascido com mais de 4kg).
Como é feito o tratamento
O tratamento se baseia em um tripé fundamental: Alimentação, Exercício e Monitoramento. Na maioria dos casos, isso é suficiente para controlar a doença sem medicação.
1. Alimentação na diabetes gestacional
Esqueça dietas restritivas que cortam tudo. O bebê precisa de nutrientes. O segredo está na qualidade do carboidrato e no fracionamento das refeições.
DIABETES GESTACIONAL: o que comer para controlar
O foco da dieta para diabetes gestacional deve ser evitar picos de insulina.
- Prefira: Carboidratos complexos e integrais (aveia, arroz integral, batata doce), muitas fibras (legumes e verduras) e proteínas magras.
- Evite: Açúcar refinado, doces, refrigerantes, sucos de caixinha e farinhas brancas (pão francês, bolos simples).
- Dica de ouro: Nunca coma carboidrato isolado. Sempre combine com uma proteína ou fibra (ex: comer a fruta com chia ou iogurte) para retardar a absorção do açúcar.
2. Medição da glicemia
Você provavelmente precisará criar uma rotina com o glicosímetro (aparelho de dextro). Furar o dedo ao acordar e após as refeições principais ajuda você a entender quais alimentos seu corpo tolera melhor. Anote tudo para levar ao endocrinologista.
3. Prática de exercícios
Se o seu obstetra liberar, mexa-se! A atividade física funciona como uma “insulina natural”, ajudando o músculo a captar a glicose do sangue. Caminhadas leves, hidroginástica ou pilates para gestantes são excelentes opções.
4. Uso de remédios
Se a dieta e o exercício não forem suficientes para atingir as metas em duas semanas, o médico pode prescrever medicamentos.
- Insulina: É o tratamento medicamentoso mais comum e seguro, pois não atravessa a placenta.
- Metformina/Glibenclamida: Podem ser usadas em casos específicos, mas a decisão cabe estritamente ao médico.
Possíveis riscos da diabetes gestacional
O objetivo do controle é evitar os riscos associados ao excesso de glicose circulando no sangue do bebê.
Diabetes gestacional é considerada gravidez de risco?
Sim, exige um pré-natal de alto risco ou monitoramento mais frequente. Se não tratada, pode causar:
- Macrossomia: O bebê cresce excessivamente (torna-se “gigante”), dificultando o parto normal e aumentando o risco de distocia de ombro.
- Hipoglicemia neonatal: Ao nascer e ter o cordão cortado, o bebê para de receber o açúcar da mãe, mas seu pâncreas continua produzindo muita insulina, derrubando a glicose dele drasticamente.
- Pré-eclâmpsia na mãe: Aumento perigoso da pressão arterial.
Importante: Com o tratamento adequado, esses riscos caem drasticamente, aproximando-se dos riscos de uma gravidez normal.
Como evitar a diabetes gestacional
A prevenção começa antes mesmo do positivo:
- Mantenha um peso saudável antes de engravidar.
- Adote um estilo de vida ativo.
- Faça check-ups regulares para monitorar sua glicemia de jejum e hemoglobina glicada anualmente.
Diabetes gestacional tem cura?
Sim. Geralmente, logo após o parto, quando a placenta sai, os hormônios se regularizam e a diabetes desaparece.
No entanto, mulheres que tiveram diabetes gestacional possuem um risco aumentado de desenvolver Diabetes Tipo 2 no futuro (em 5 a 10 anos). Por isso, o cuidado com a saúde deve ser para a vida toda.
Como é o pós-parto
O cuidado não termina no nascimento. É protocolo realizar uma nova Curva Glicêmica cerca de 6 semanas após o parto para reclassificar a mãe (garantir que ela não ficou diabética).
Além disso, a amamentação é uma poderosa aliada, ajudando a regular o metabolismo da mãe e protegendo o bebê contra obesidade futura.
Leia também: Fome excessiva, o que pode ser?
Cuide de você para cuidar de quem vem aí
A diabetes gestacional é um alerta do corpo pedindo cuidado, não uma sentença. Com informação e suporte médico, você vai tirar isso de letra.
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