Se você suspeita que você ou alguém próximo está tendo uma reação alérgica grave agora, pare de ler e ligue para o 192 ou vá ao pronto-socorro imediatamente.
O choque anafilático não é apenas uma “alergia forte”. É uma emergência médica máxima.
Neste cenário, cada segundo conta. Diferente de uma coceira leve ou um espirro, a anafilaxia é uma reação sistêmica explosiva. O sistema imunológico, ao tentar defender o corpo de um invasor (alérgeno), libera uma enxurrada de substâncias químicas que podem levar o organismo ao colapso em poucos minutos.
Mas o que significa o termo “choque”? Na medicina, não se trata do susto emocional. Choque significa falência circulatória.
Durante a crise, os vasos sanguíneos dilatam abruptamente, fazendo a pressão arterial despencar. O sangue para de chegar aos órgãos vitais, como coração e cérebro. Sem intervenção rápida, o risco de vida é real.
Por isso, o mito de “tomar um antialérgico e esperar passar” deve ser quebrado hoje. Na anafilaxia, esperar não é uma opção.
Leia nosso guia completo sobre Alergia.
Sintomas de choque anafilático: identifique os sinais
A anafilaxia é traiçoeira porque ela geralmente ataca dois ou mais sistemas do corpo ao mesmo tempo. Se houver sintomas de pele combinados com dificuldade respiratória ou queda de pressão, o sinal de alerta deve ser máximo.
Fique atento aos grupos de sintomas:
- Pele e Mucosas (80-90% dos casos): Urticária (vergões vermelhos que coçam), inchaço súbito nos lábios, língua ou ao redor dos olhos.
- Respiratório (Ameaça à vida): Sensação de garganta fechando (edema de glote), rouquidão súbita, tosse seca persistente, chiado no peito e dificuldade para puxar o ar.
- Cardiovascular: Tontura intensa, desmaio (síncope), coração acelerado (taquicardia) ou pulso muito fraco devido à pressão baixa (hipotensão).
- Gastrointestinal: Dor abdominal súbita e intensa, náuseas, vômitos e diarreia. Atenção: muito comum em alergias alimentares, mas frequentemente ignorado.
- Neurológico: Confusão mental e uma “sensação de morte iminente”. A ansiedade súbita e inexplicável é um sintoma clínico real da falta de oxigenação e da descarga de mediadores químicos.
Não ignore os sinais que seu corpo está dando!
Tempo é vida. Os sintomas podem surgir segundos após o contato com o gatilho (alérgeno) ou demorar até 2 horas.
A evolução pode ser assustadora. O que começa como um formigamento na boca ou uma coceira na palma da mão pode evoluir para o fechamento da garganta em questão de minutos. Na dúvida, peque pelo excesso de cautela e busque ajuda hospitalar.
Como confirmar o diagnóstico
O diagnóstico da anafilaxia divide-se em dois momentos: a emergência e a investigação preventiva.
1. No momento da crise (Diagnóstico Clínico)
O médico não vai esperar um exame de sangue para começar o tratamento. Ele observa os sinais clínicos (pressão baixa, dificuldade respiratória, lesões na pele) e age imediatamente. O diagnóstico é visual e baseado no histórico recente (ex: “comi camarão há 10 minutos”).
2. Investigação posterior (Laboratorial)
Passado o perigo, é crucial entender o que aconteceu para evitar recorrências.
- Triptase Sérica: Um exame de sangue que, se coletado poucas horas após o início da crise, confirma que houve a desgranulação dos mastócitos (células de defesa), comprovando a anafilaxia.
- Testes Alérgicos (IgE Específica/Prick Test): Realizados semanas após o evento, ajudam a identificar o culpado exato.
Aqui entra a importância da medicina preventiva. Check-ups regulares, como os oferecidos pelo Vita Check-up Center, permitem que médicos analisem seu histórico e solicitem exames que mapeiam sua saúde geral, identificando predisposições antes que se tornem emergências.
Possíveis causas (Gatilhos comuns)
Qualquer substância pode, teoricamente, causar anafilaxia, mas alguns vilões são conhecidos:
- Alimentos (Os “Big 8”): Leite de vaca, ovo, trigo, soja, amendoim, castanhas/nozes, peixes e frutos do mar (crustáceos).
- Medicamentos: A causa mais comum em adultos. Principalmente antibióticos (penicilina/amoxicilina), anti-inflamatórios (ibuprofeno, dipirona, aspirina) e contrastes radiológicos.
- Insetos (Hymenoptera): Picadas de abelhas, vespas e formigas de fogo.
- Látex: Luvas cirúrgicas, balões de festa e preservativos.
- Anafilaxia Idiopática: Casos raros onde, mesmo após investigação, a causa não é identificada.
Como é feito o tratamento: a única salvação
Existe apenas um medicamento capaz de reverter o choque anafilático e impedir o fechamento da garganta a tempo: a Adrenalina (Epinefrina).
Esqueça os mitos: Corticoides e antialérgicos orais demoram de 30 a 60 minutos para fazer efeito. Eles ajudam a evitar que a reação volte depois, mas não salvam a vida no momento do choque. A adrenalina age em segundos, contraindo os vasos sanguíneos (subindo a pressão) e relaxando a musculatura dos pulmões (abrindo a respiração).
Suporte Hospitalar
Além da injeção de adrenalina intramuscular, o tratamento de emergência inclui:
- Oxigênio suplementar.
- Soro na veia (reposição volêmica) para combater a hipotensão.
- Monitoramento cardíaco contínuo.
- Broncodilatadores (nebulização).
Importante: O paciente deve permanecer em observação hospitalar por algumas horas (geralmente 4 a 6 horas). Isso ocorre devido ao Efeito Bifásico: a reação alérgica pode retornar horas depois, mesmo sem novo contato com o alérgeno.
O que fazer se já teve um choque anafilático?
Quem já passou por isso vive em estado de alerta. A prevenção é a melhor estratégia.
- Plano de Ação: Tenha sempre consigo uma identificação (pulseira, cartão ou notificação no celular) informando “Sou alérgico a X”.
- Caneta de Adrenalina (Auto-injetor): Dispositivos como Epipen ou Anapen são prescritos para pacientes de alto risco. Aprenda a usar: a aplicação é feita na lateral da coxa (músculo vasto lateral) e a agulha é projetada para atravessar até tecidos como jeans.
- Educação: Família, amigos e colegas de trabalho devem saber onde está sua caneta de adrenalina e como utilizá-la caso você perca a consciência.
A prevenção é o melhor remédio
O choque anafilático é um evento traumático que muda a forma como enxergamos nossa saúde. Após a recuperação, é fundamental não apenas identificar a alergia, mas avaliar como está o funcionamento global do seu organismo.
O Vita Check-up Center, na Barra da Tijuca, oferece programas completos de check-up que avaliam sua saúde de forma integral em um único dia. Nossa equipe multidisciplinar está preparada para orientar você sobre riscos de saúde, imunização e bem-estar geral.
Não espere o susto para cuidar de você. Conheça nossos programas de check-up e mantenha sua saúde sob controle.







