Anafilaxia (Choque Anafilático): o que é, sintomas e primeiros socorros

paciente com anafilaxia

A anafilaxia é a reação alérgica mais grave que existe. Ela ocorre de forma súbita, evolui rapidamente e pode ser fatal se não tratada em minutos. Diferente de uma rinite ou uma coceira leve, o choque anafilático envolve múltiplos sistemas do corpo simultaneamente, levando ao colapso respiratório e cardiovascular.

Se você suspeita que alguém próximo está sofrendo uma anafilaxia neste momento, pare de ler e chame o SAMU (192) imediatamente.

Entender a gravidade dessa condição é o primeiro passo para a prevenção. Neste artigo, a equipe do Vita Check-up Center explica detalhadamente como identificar os sinais de perigo, o que causa essa reação e, principalmente, como agir nos primeiros minutos que definem a sobrevivência.

Leia aqui nosso conteúdo completo sobre: O que é Alergia?!

Principais sintomas de anafilaxia

A anafilaxia não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas, mas há um padrão claro: o comprometimento de dois ou mais órgãos ao mesmo tempo. Para facilitar a identificação rápida, agrupamos os sintomas pelos sistemas do corpo afetados:

1. Pele e Mucosas (80% a 90% dos casos)

  • Urticária generalizada: Placas vermelhas e elevadas que coçam intensamente.
  • Angioedema: Inchaço rápido nos lábios, língua, olhos ou no rosto inteiro.
  • Rubor: Vermelhidão intensa e sensação de calor na pele.

2. Sistema Respiratório (O maior risco)

  • Edema de glote: Sensação de “bola na garganta” ou fechamento da passagem de ar.
  • Dispneia: Dificuldade extrema para respirar, falta de ar.
  • Sibilância: Chiado no peito (similar a uma crise de asma forte).
  • Rouquidão súbita: Mudança na voz devido ao inchaço na garganta.

3. Sistema Cardiovascular

  • Hipotensão: Queda brusca da pressão arterial.
  • Taquicardia: Coração acelerado e fraco.
  • Tontura e Desmaio: Perda de consciência devido à falta de oxigenação no cérebro.
  • Cianose: Lábios ou pontas dos dedos arroxeados.

4. Sistema Gastrointestinal

  • Dor abdominal intensa (cólica).
  • Náuseas e vômitos persistentes.
  • Diarreia súbita.

5. Sistema Neurológico

  • Sensação de morte iminente: Este é um sintoma clínico real. O paciente sente uma angústia profunda e confusão mental, percebendo que algo muito grave está acontecendo.

O que fazer: Primeiros Socorros

Diante de um quadro de anafilaxia, cada segundo conta. Não espere os sintomas melhorarem sozinhos. Siga este protocolo de emergência:

🚨 PROTOCOLO DE AÇÃO IMEDIATA

  1. Aplique a Adrenalina: Se a pessoa portar uma caneta de adrenalina (autoinjetor), aplique imediatamente na parte lateral da coxa (pode ser por cima da roupa). Esta é a única medicação capaz de reverter o choque.
  2. Chame o SAMU (192): Informe que se trata de uma “anafilaxia” ou “choque anafilático”.
  3. Posicione a Vítima: Deite a pessoa de costas e eleve as pernas (acima do nível do coração) para ajudar o sangue a irrigar o cérebro.
    • Exceção: Se houver vômitos ou dificuldade respiratória extrema, mantenha a pessoa sentada ou deitada de lado.
  4. Remova o Alérgeno: Se for picada de inseto e o ferrão estiver visível, raspe-o com um cartão (não use pinça para não injetar mais veneno). Se for alimento, peça para cuspir, mas não provoque vômito.
  5. Não ofereça água ou comida: O risco de engasgo é altíssimo devido ao inchaço na garganta.
  6. Monitore os Sinais Vitais: Se a pessoa parar de respirar, inicie a Reanimação Cardiopulmonar (RCP) até a chegada da ambulância.

Atenção: Medicamentos antialérgicos orais (anti-histamínicos) demoram para fazer efeito e não salvam vidas na fase aguda do choque anafilático. A adrenalina é a prioridade.

O que causa anafilaxia? (Gatilhos comuns)

A reação ocorre quando o sistema imunológico identifica erroneamente uma substância inofensiva como uma ameaça mortal. Os gatilhos mais comuns incluem:

  • Alimentos: Responsáveis pela maioria dos casos em crianças. Os vilões frequentes são amendoim, nozes, castanhas, frutos do mar (camarão), leite de vaca e ovo.
  • Medicamentos: Principal causa em adultos. Antibióticos (como penicilina), aspirina, anti-inflamatórios (ibuprofeno) e contrastes utilizados em exames de imagem.
  • Insetos: Veneno de abelhas, vespas e formigas de fogo.
  • Látex: Presente em luvas, balões de festa e preservativos.

Existe também a Anafilaxia Idiopática, diagnosticada quando, mesmo após extensa investigação médica, não é possível identificar o agente causador.

Diferença entre alergia comum e anafilaxia

Muitas pessoas confundem uma reação alérgica forte com anafilaxia. A distinção é vital para saber quando correr para o hospital.

  • Alergia Comum: Geralmente é local. Pode haver urticária em apenas uma parte do corpo, espirros ou coceira no nariz. A pessoa permanece consciente, com pressão arterial normal e sem dificuldade respiratória grave.
  • Anafilaxia: É sistêmica. Ela “ataca” o corpo todo de uma vez. Envolve a pele E a respiração, ou a pele E a circulação. Há risco iminente de colapso vital.

Como confirmar o diagnóstico

No momento da crise, o diagnóstico é clínico, baseando-se puramente nos sintomas visíveis e no histórico recente (ex: acabou de comer camarão). Não se espera resultado de exame de sangue para tratar.

Posteriormente, para prevenir novos episódios, o médico alergista ou imunologista pode solicitar:

  • Dosagem de Triptase: Uma enzima que aumenta significativamente no sangue durante a anafilaxia (deve ser coletada logo após o evento).
  • IgE Específica: Exames de sangue para identificar a qual substância o paciente é alérgico.

No Vita Check-up Center, valorizamos a investigação detalhada do histórico de saúde do paciente, o que pode incluir a identificação de predisposições alérgicas em nossos programas de avaliação.

Como é feito o tratamento hospitalar

Ao chegar na emergência, a equipe médica atuará agressivamente para estabilizar o paciente. O tratamento padrão inclui:

  1. Adrenalina (Epinefrina): Administrada via intramuscular repetidamente até a reversão dos sintomas.
  2. Oxigênio e Suporte Ventilatório: Se houver insuficiência respiratória grave, pode ser necessária a intubação orotraqueal.
  3. Reposição Volêmica: Soro na veia em grande volume para recuperar a pressão arterial que despencou.
  4. Medicamentos secundários: Corticoides e anti-histamínicos são aplicados na veia para reduzir a inflamação e prevenir uma “segunda onda” da reação (reação bifásica), mas eles são coadjuvantes.

Prevenção e Cuidados a longo prazo

Quem já teve um episódio de anafilaxia vive com o receio de uma nova crise. No entanto, com o acompanhamento correto e medidas preventivas, é possível ter uma vida normal e segura.

  • Autoinjetor de Adrenalina: Se o seu médico prescreveu, carregue-o sempre com você. Ensine familiares e amigos a usá-lo.
  • Identificação Médica: Use uma pulseira, colar ou cartão na carteira informando “Sou alérgico a X”. Isso fala por você caso esteja inconsciente.
  • Check-ups Regulares: Manter a saúde em dia é fundamental. Saber como está seu sistema imunológico e evitar fatores de estresse corporal ajuda na manutenção do bem-estar geral.
  • Plano de Ação Escrito: Tenha um documento assinado pelo seu médico explicando passo a passo o que fazer na emergência, especialmente para escolas e ambientes de trabalho.

A importância de conhecer sua saúde

A anafilaxia é imprevisível, mas o conhecimento é sua maior defesa. No Vita Check-up Center, acreditamos que a medicina preventiva é a chave para a longevidade. Embora tratemos de check-ups executivos e avaliações completas, incentivamos que todos os nossos pacientes com histórico de alergias mantenham acompanhamento rigoroso com especialistas.

Precisa avaliar sua saúde de forma completa e eficiente? Conheça os programas do Vita Check-up Center na Barra da Tijuca. Realizamos exames completos em um único dia, com todo o conforto e tecnologia que você merece.

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